Assembleia da República, 11 fevereiro 2014
 
2014-02-11 às 13:02

CANAL DE INFORMAÇÃO DA RTP «DEVE TER VOCAÇÃO DE PROXIMIDADE» E RTP2 TERÁ «FORTE IDENTIDADE CULTURAL»

«O canal de informação da RTP deve ter vocação de proximidade», afirmou o Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, acrescentando que «isto está previsto na proposta de contrato de concessão que está a ser analisado pela Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) e pelo Conselho de Opinião da RTP». Estas declarações foram feitas na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, na Assembleia da República.

Sublinhando que «o contrato de concessão agora em análise, que já resulta de um processo de consulta pública, manterá a ideia de que o canal de informação possa ter, até, no futuro, janelas regionais», o Ministro referiu que este «é um dos elementos de valor acrescentado e de diferenciação do serviço público, relativamente a outros operadores».

Miguel Poiares Maduro afirmou ainda que «pretende-se dar à RTP2 um carácter cultural», ou seja, «que a RTP2 não seja o que é hoje», pois, «este canal, em certa medida, foi transformada num serviço de programas que tem muito pouca audiência e não tem identidade própria. Pelo contrário, agora pretende-se que seja um serviço de programas com forte identidade cultural».

O Ministro reafirmou também que «serão transferidas para o Conselho Geral Independente as responsabilidade de tutela sectorial, não sendo introduzidas novas camadas de controlo».

«O interesse do Estado passa a ser prosseguido pelo Conselho Geral Independente, mantendo o Ministério das Finanças a supervisão financeira», explicou Miguel Poiares Maduro.

O Ministro alertou que «é preciso não confundir Estado com Governo» pois «temos mais Estado e menos Governo. É uma mudança tão radical, que é difícil de perceber».

Quanto ao plano de desenvolvimento e redimensionamento da RTP, Miguel Poiares Maduro afirmou que este «prevê uma redução de cerca de 22 milhões de euros em recursos humanos, embora a forma como será progressivamente obtida dependa do financiamento bancário, que a empresa tem procurado obter com dificuldades».

«Aliás, apesar de a Secretária de Estado do Tesouro ter vindo a apoiar a RTP nesta matéria, o atraso na obtenção do financiamentobancário foi uma das razões que levou o Governo a aceitar a atualização da contribuição para o audiovisual (CAV), que - não sendo a única forma de financiamento, e não sendo suficiente - ajudou a acomodar este atraso de financiamento», acrescentou o Ministro.

Assim, «a empresa terá de encontrar este financiamento para conseguir cumprir com o plano de desenvolvimento e redimensionamento», sendo que «em 2014, a CAV passou a ter um valor de 2,65 euros para financiar a RTP, uma vez que a empresa deixou de receber indemnização compensatória», lembrou Miguel Poiares Maduro.

O Ministro explicou que o novo valor da CAV «foi fixado com base no estudo e na preparação do orçamento por parte do Conselho de Administração da empresa». «O valor foi sugerido pelo Conselho de Administração com base naquilo que era a necessidade de evolução do plano de desenvolvimento e redimensionamento da RTP».

Sobre o futuro da agência Lusa, Miguel Poiares Maduro afirmou que «o Estado está disposto a negociar alguns aspetos, desde logo, que os acionistas privados também cumpram as obrigações que têm para com a empresa».

Em resposta a perguntas dos deputados, o Ministro referiu que «há vários contenciosos entre o Estado e a Lusa, donde, o Governo transmitiu ao Conselho de Administração da agência a disponibilidade para negociar vários aspetos que a empresa reivindica serem obrigações do Estado e que o Estado, neste momento, não reconhece».

«As responsabilidades perante a empresa são múltiplas, não são apenas aquelas do Estado, são também aquelas dos acionistas privados e o Governo aqui está para continuar a exigir que elas sejam cumpridas», concluiu.

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